Dave Logan
A NOIVA! (2026) - A busca por companhia e a quebra de identidade no novo longa de Maggie Gyllenhaal.
Na Chicago da década de 1930, o cientista pioneiro Dr. Euphronious traz uma jovem assassinada de volta à vida para ser uma companheira para o monstro de Frankenstein. O que acontece em seguida está além do que qualquer um deles poderia ter imaginado.
Dois Frankensteins no cinema em menos de um ano: seria um feito digno para o personagem ou falta de criatividade da indústria? O "Prometeu Moderno", ao longo dos anos, tornou-se um dos personagens com mais adaptações para o cinema e a televisão, assemelhando-se ao Conde Drácula.
O ano era 1935 quando A Noiva de Frankenstein foi apresentada ao público. Posteriormente, a obra integraria a construção do "Monstroverso", iniciado em 1931 com o lançamento de Drácula, imortalizado pela performance do saudoso Bela Lugosi.

"Eu preferiria que não..."
Alguns projetos cinematográficos tentam forçar diálogos, principalmente quando uma frase é repetida exaustivamente — como se isso, por si só, criasse um bordão ou uma frase de efeito que sintetizasse a trama.
Nesta nova versão da companheira do Prometeu Moderno, intitulada apenas como A Noiva!, encontramos um misto de gótico e atualidade, onde a figura do monstro serve como ponte entre essas duas estéticas. Com uma essência "retrofuturista" (não pela tecnologia, mas pelo deslocamento temporal do personagem), o filme de Maggie Gyllenhaal explora as camadas de sensibilidade que moldam Frankenstein: um ser nascido da morte que compreende a vida melhor que ninguém. Seu sentimentalismo é o combustível para a busca por refúgio em braços de amor e ternura — um ponto positivo para Christian Bale, que entrega uma atuação primorosa sob a maquiagem.
Diante do medo da eternidade solitária, Frankenstein clama por uma companheira. No entanto, ao obtê-la, percebe que a construção da intimidade e da convivência é conturbada. A Noiva (re)nasce. O processo enfrenta dificuldades quando a persona de "Penelope" ganha mais peso que sua própria presença física. Em cena, o protagonismo é inteiramente dela; em uma dinâmica de dupla personalidade, a atuação de Jessie Buckley situa-se muito acima da média.

Entre o Clássico e o Novo
Na primeira parte do roteiro, a linha que divide o Frankenstein apaixonado e a Noiva deslumbrada pela chance de estar viva é bem traçada. O romance, embora não fuja do comum, destaca-se pelo contexto em que ocorre. Isso molda a narrativa como algo curioso, elevando a trama ao status de uma "reprodução ousada de uma história conhecida". A diretora Maggie Gyllenhaal assume uma perspectiva que descarta o classicismo rígido desses personagens.

Mesmo com indícios que poderiam arruinar a obra, A Noiva! resiste ao permitir quebras de identidade — como o fato de Frankenstein ter uma tatuagem. Contudo, o desenvolvimento peca na passagem de tempo; após o despertar da Noiva, o espectador perde a noção cronológica. As cenas tentam transmitir a ideia de "eternidade", mas falham em exemplificá-la visualmente.
O foco reside no romance fúnebre, deixando em segundo plano uma investigação policial que tenta ser relevante, mas termina em lugar nenhum. Penélope Cruz (Myrna Malloy) e Peter Sarsgaard (Jake) conduzem essa busca que se torna insustentável para o roteiro, cujo único desejo real é mostrar a felicidade de Frankenstein em ter companhia.
Por fim, é preciso não confundir as obras: embora tenhamos dois Frankensteins no cinema, eles são distintos. Enquanto a versão de Guillermo del Toro busca o equilíbrio entre vida, morte e a compreensão do ser, a versão de Gyllenhaal foca no desejo simples de não passar a eternidade sozinho. A Noiva! aposta alto na mudança de ares, mas por vezes esquece as consequências dessa dinâmica ao reproduzir uma história clássica. Mesmo tropeçando, o filme deposita suas fichas na curiosidade gerada por sua atmosfera gótica.
NOTA DO CRÍTICO : 6.0/10




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