Havaianas vira alvo de boicote e queda na bolsa após campanha de fim de ano
Polêmica campanha estrelada por Fernanda Torres gera acusações de viés ideológico
Consumidores e políticos criticam a campanha de fim de ano da Havaianas com Fernanda Torres, que se tornou alvo de boicote nas redes e contribuiu para a queda das ações da controladora Alpargatas. A campanha de fim de ano da Havaianas estrelada pela atriz Fernanda Torres — marcada pela frase “não começar 2026 com o pé direito” — provocou uma reação inesperada: políticos e apoiadores conservadores passaram a acusar a marca de viés político, impulsionaram um boicote nas redes sociais e contribuíram para a queda das ações da Alpargatas na Bolsa de Valores, refletindo uma crise que mescla marketing, mercado financeiro e disputa ideológica.
A Havaianas, ícone quase universal do verão e da cultura brasileira, entrou no foco de uma tempestade política natalina ao divulgar sua campanha publicitária de fim de ano. No centro da controvérsia está uma fala da atriz Fernanda Torres no comercial, em que ela diz não querer que o público “comece 2026 com o pé direito”, propondo, em vez disso, que as pessoas entrem no ano novo “com os dois pés”, numa alusão à entrega e à garra pessoal.
O problema, para parte expressiva do público conservador, está no jogo de palavras com “direita”. Para críticos alinhados à direita brasileira, a mensagem teria sido interpretada como um recado político velado, o que detonou uma reação forte nas redes sociais e o chamado ao boicote da marca. Figuras públicas como Eduardo Bolsonaro protagonizaram gestos de repúdio — inclusive gravando vídeo em que desfazem chinelos da marca — e outros líderes conservadores reforçaram a ideia de que a campanha teria um viés ideológico deliberado.
A repercussão foi imediata e saiu do universo digital para impactar o mercado financeiro. As ações da Alpargatas, controladora da Havaianas, fecharam em queda na B3, com recuo de cerca de 2,4% a 3%, resultando na perda de aproximadamente R$ 150 milhões a R$ 200 milhões em valor de mercado em uma única sessão.
O episódio escancara o ponto de inflexão em que o simples ato de publicizar um produto se choca com as linhas tênues que separam marketing e cultura política em um país profundamente dividido. Para parte dos críticos da direita, a campanha seria mais um capítulo na narrativa de empresas que “posicionam ideologicamente” seus produtos. Do outro lado, muitos consumidores nas redes argumentam que a campanha era inócua, motivacional e que a reação do setor conservador foi desproporcional e simboliza uma cultura de cancelamento.
Há, ainda, indícios contraditórios nas métricas: apesar do boicote, o perfil oficial da Havaianas no Instagram registrou um ganho de mais de 150 mil seguidores em 48 horas, sugerindo que a polêmica ampliou ainda mais a visibilidade da marca. Até o momento, nem a Havaianas nem a Alpargatas divulgaram declarações oficiais explicando ou defendendo a intenção por trás do conteúdo da campanha — fato que apenas alimenta o debate público e mantém o caso vivo nas redes e nos noticiários.
Fonte:
Apuração própria com base em veículos nacionais de política, economia e comportamento digital.





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