Dave Logan
ANACONDA (2025) de TOM GORMICAN - Uma Carta de Amor ao Cinema "Terrir"
Os melhores amigos Griff e Doug partem para as selvas da Amazônia para filmar um reboot de seu filme favorito de todos os tempos, Anaconda. No entanto, a vida logo imita a arte quando uma anaconda gigantesca com sede de sangue começa a caçá-los.
Quem diria que um filme sobre um filme poderia ser algo tão bom? A ideia do novo Anaconda nasce exatamente desse conceito: explorar o amor pela sétima arte recriando uma obra que foi marcante para os protagonistas na década de 90.
É importante ressaltar que este longa não é um remake nem um reboot da franquia; o filme de 2025 caminha pelo vale da metalinguagem. Ao examinarmos a capacidade do cinema e o carinho que o público cultiva pelos filmes ao longo dos anos, o novo "Anaconda" se torna interessante. Por mais bobo e exagerado que pareça, ele examina a paixão de um fã e a projeta na tela, homenageando o material original de 1997.

Aqui, temos o esqueleto da obra original, mas com mudanças na interação. Embora as filmagens dos personagens Doug e Griff ocorram na mesma selva do filme antecessor, o desejo da dupla é claro: refazer, ao estilo "trash", sua própria versão cinematográfica da cobra assassina. Mesmo com baixo orçamento, eles encaram o desafio e partem rumo à Amazônia para tirar o sonho do papel.
A metalinguagem se mostra competente e instigante. É um filme sobre fazer filmes de cobra, com uma criatura exageradamente grande que ameaça (ou protege) a selva. O roteiro resgata a lenda mencionada por Paul Sarone (Jon Voight) no original, sobre anacondas que habitam a floresta como divindades. Temos aqui um "terrir" (comédia misturada com terror) que, de forma desconstruída e ousada, não se leva a sério e sabe exatamente onde pisa.

Diferente da produção de 97, a nova versão abandona os animatrônicos e mergulha no CGI. Se pensarmos que as sequências após o segundo filme foram desastrosas por conta desses efeitos — que nem David Hasselhoff foi capaz de salvar —, aqui a produção busca naturalizar a serpente dentro de uma narrativa propositalmente não realista. Em um filme que abraça o absurdo, uma cobra digital gigante deixa de ser um problema técnico e vira parte da estética.
O trio de protagonistas sabe onde se meteu e conduz a história da forma mais hilária possível. Com Jack Black, Paul Rudd e Selton Mello vindos diretamente da comédia, o que poderia dar errado? Que os deuses do cinema nos ouçam desta vez!

O roteiro carrega a responsabilidade de harmonizar o clímax dessa metalinguagem. A paixão de Doug (Jack Black) em ser alguém importante para a indústria fica estampada em seu rosto. Quando seu melhor amigo Griff (Paul Rudd) oferece a chance de refilmar o clássico de 1997, vemos uma chama se acender em seu olhar. O filme ainda traz inúmeras referências a gênios da arte, de onde Doug tira inspiração.
A trama ganha corpo com a introdução de Santiago (Selton Mello), um treinador de cobras que carrega seu melhor amigo: a serpente Heitor. Essa construção, que beira o ridículo, passa a fazer sentido e cria impacto durante o desenvolvimento. O que começa bobo e exagerado se torna uma aventura divertida.
"Você nunca se divertiu com algo tão grande". Esta frase no cartaz desconstrói o conceito do primeiro filme e define o que está por vir: uma comédia recheada de jumpscares que diverte pelo absurdo. Mais do que um filme sobre cinema, o novo Anaconda é um poço de entretenimento com alma de "Sessão da Tarde", que sabe exatamente onde quer chegar.
ANACONDA ESTÁ EM EXIBIÇÃO NOS CINEMAS. BOA SESSÃO!




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