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Leme,04/02/2026

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Dave Logan

AVATAR: FOGO E CINZAS (2025) de JAMES CAMERON - A grandiosidade produtiva disfarça um roteiro fraco.

O conflito em Pandora aumenta quando Jake e Neytiri encontram uma nova e agressiva tribo Na'vi.

AVATAR: FOGO E CINZAS (2025)
AVATAR: FOGO E CINZAS (2025) de JAMES CAMERON - A grandiosidade produtiva disfarça um roteiro fraco.

Quando, em 2009, o diretor James Cameron lançou o filme que mudaria a perspectiva do cinema, era de se esperar que a estrutura de "Avatar" viesse para ficar. Na obra, vemos e sentimos um cenário que exala criatividade "fora da caixa" — o rico detalhamento praticamente convida o espectador a caminhar pelas florestas de Pandora.

Entretanto, a grandiosidade de Avatar parece limitada à sua produção técnica. Mesmo com três filmes, a franquia mantém-se genérica em sua essência, repetindo a fórmula de seus antecessores e apostando cada vez mais alto apenas nos efeitos visuais.

Nesta última quinta-feira (19/12), Avatar: Fogo e Cinzas estreou nos cinemas mundiais, mas o que esperar de uma franquia que parece não ter mais o que contar? Pelo visto, a intenção de Cameron nunca foi mergulhar em colapsos existencialistas, mas sim manter a qualidade das cenas em uma escala imersiva, divertida e visceral. O problema é que, ao priorizar o espetáculo visual, a narrativa acaba negligenciada. Filmes precisam de boas histórias além de grandes cenários; reciclar um roteiro que já foi reaproveitado na sequência de 2022 (O Caminho da Água) é um tiro incerto na busca pela inovação.



De volta a Pandora, o início do longa consegue abordar o luto (consequência do final do segundo filme). Cada membro da família Sully lida com a perda de forma distinta, porém, esse foco narrativo serve apenas como gancho inicial. Mesmo com três horas de duração, o roteiro acelera o passo para apresentar a nova vilã e os novos conflitos. Com grandes tomadas que elevam a imersão, Avatar 3 resume-se a isso: um visual deslumbrante que tenta disfarçar uma trama frágil e repetitiva.



A falta de desenvolvimento de alguns personagens, somada à pressa no arco de outros, evidencia a carência de propósito narrativo. O filme estagna em certo ponto e não se preocupa em aprofundar a história; tudo o que deseja é uma grande guerra em um cenário monumental. Entre a corrida contra o tempo para salvar Spider e o confronto final, a vilã Varang e o Coronel Quaritch buscam apenas uma coisa: a vitória.

Avatar: Fogo e Cinzas tem uma necessidade latente de impressionar, mas não de se desenvolver. O terceiro longa sofre do mesmo mal dos anteriores: um roteiro fraco. Mas será que James Cameron se importa? Provavelmente não; ele apenas quer que o público aprecie sua "obra de milhões". O filme deixa evidente que este pode ser o encerramento da saga nos cinemas — ou, ao menos, um desfecho simbólico.



Em suma, o novo capítulo é aquele tipo de filme com uma história de redenção e busca que você já viu em outro lugar, mas que utiliza um cenário criativo na esperança de que o espectador não perceba o vazio do roteiro. Para quem busca imersão, o filme se garante; mas se você busca uma boa história, esqueça — o próprio filme também esqueceu que precisava de uma.



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