Dave Logan
O MORRO DOS VENTOS UIVANTES (2026) de EMERALD FENNELL - A Nova Adaptação Prioriza o Visual sobre a Emoção.
A tragédia acontece quando Heathcliff se apaixona por Catherine Earnshaw, uma mulher de uma família rica na Inglaterra do século 18.
O MORRO DOS VENTOS UIVANTESUm clássico da literatura, quando vai para as telas de cinema, torna-se um clássico na sétima arte? Esta pergunta é instigante, pois na literatura, ao lermos uma obra, imaginamos os personagens e o cenário; já no cinema, presenciamos a visão de outra pessoa sobre a mesma história. Vários grandes livros foram adaptados para o cinema mais de uma vez e, independentemente do ano ou do diretor, cada obra traz um toque diferente para narrar a mesma trama.
O Morro dos Ventos Uivantes é um dos romances mais famosos do mundo. Escrito por Emily Brontë em 1847, a história acompanha a vida de Heathcliff e Catherine, que sofrem por esconderem sua verdadeira paixão. (Vale notar: este não é um dos meus livros favoritos e este texto terá pouca associação com a obra original; o comentário aqui será dedicado à nova versão cinematográfica).

Com mais de 12 adaptações entre cinema e televisão, a história de O Morro dos Ventos Uivantes ultrapassa gerações. Os personagens carregam uma grande carga de complexidade, mas nem todas as versões levam isso em consideração. É o caso desta adaptação de 2026: embora siga o enredo do livro, a diretora opta por um caminho mais leve — o do romance clichê com tragédia shakespeariana. Ao reduzir uma história cheia de reviravoltas e alta carga dramática a um romance convencional, perde-se a oportunidade de explorar as camadas profundas que uma obra com tantas adaptações exige.
Assim como Drácula, Frankenstein, O Conde de Monte Cristo e Os Três Mosqueteiros, que possuem inúmeras versões, O Morro dos Ventos Uivantes não ficaria para trás. Levando em conta o currículo da diretora Emerald Fennell, nota-se que ela prefere simplificar histórias complexas, especialmente na linguagem cinematográfica. Em seu novo filme, a contextualização teatral impacta fortemente os cenários; é tudo muito gótico, quase um film noir de época.

A nova versão, que entrega "menos do que queríamos e mais do que não precisávamos", tenta inovar uma história conhecida há quase dois séculos. No entanto, a dinâmica que coloca a estética acima do roteiro resulta em falta de profundidade. Sem o devido aprofundamento, o filme torna-se apenas um romance com dramas pontuais.
No campo da atuação, o casal protagonista, interpretado por Jacob Elordi e Margot Robbie, parece funcionar mais como estratégia de marketing. Por mais que ambos estejam bem individualmente, falta química entre eles, o que enfraquece a ferocidade do amor dos personagens.
Com um figurino expressivo e cenários que realizam uma excelente releitura da época, o filme busca se consagrar pelo visual, já que o roteiro se mostra comum, dependendo excessivamente da paleta de cores. Elordi, que em 2025 incorporou o "Prometeu Moderno" (Frankenstein de Guillermo del Toro), entrega aqui um trabalho mediano; percebe-se que ele poderia render mais. Já Margot Robbie deixa a imagem da Arlequina para trás e dá vida a uma Catherine que, entre trancos e barrancos, sustenta bem a personagem. O elenco de apoio, como o Sr. Earnshaw, infelizmente merecia mais tempo de tela.
Mas... O Morro dos Ventos Uivantes é digno de atenção? Com certeza. Todo filme merece ser visto, pois, seja ele excelente ou ruim, há muito trabalho envolvido em sua produção. Mesmo não atendendo às expectativas de complexidade, a nova versão entrega uma história de romance com traços de Romeu e Julieta.
O MORRO DOS VENTOS UIVANTES ESTÁ EM EXIBIÇÃO NOS CINEMAS. BOA SESSÃO!




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