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Leme,14/05/2026

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Dave Logan

A MALDIÇÃO DA MÚMIA (2026) de LEE CRONIN - Onde o Terror Raiz se Perde na Fórmula da Possessão

A filha de um jornalista desaparece sem deixar rastros no deserto. Oito anos depois, a família fica em choque quando a filha é devolvida. Mas o que deveria ser um reencontro alegre se transforma em um verdadeiro pesadelo.


A MALDIÇÃO DA MÚMIA (2026) de LEE CRONIN - Onde o Terror Raiz se Perde na Fórmula da Possessão

Neste vasto universo do terror, algumas produções tendem a uma dinâmica narrativa comum, o que acaba tornando o termo "genérico" um rótulo para temas saturados, como a possessão demoníaca. Já a trajetória da Múmia no cinema é um caso à parte. Sua primeira aparição foi em 1932, compondo o "monstroverso" da época; estrelado pelo saudoso Boris Karloff, o longa era a grande atração daquele ano. Nas décadas seguintes, entre 1939 e 1967, o personagem continuou rondando as telas em diversas iterações.

Contudo, foi em 1999 que uma mudança significativa ocorreu. A Múmia, estrelado por Brendan Fraser, trouxe uma nova forma de exploração arqueológica, moldando uma aventura instigante pelas tumbas egípcias. A produção rendeu uma trilogia (encerrada em 2008, com um novo capítulo previsto para 2028). Em 2017, a mitologia voltou às telas com Tom Cruise, mas o sucesso não se repetiu, prejudicado por uma execução narrativa inconsistente.



Recentemente, A Maldição da Múmia chegou aos cinemas com o intuito de quebrar paradigmas, tentando mesclar mitologia e possessão. No entanto, ambas as ideias perdem força à medida que o ritmo do filme cai. Embora duas horas de projeção não pareçam excessivas, a trama começa a se arrastar e a se repetir, fazendo com que a duração pese mais do que o esperado.



Com um apelo fiel ao gênero de terror e à premissa da possessão, o filme utiliza a roupagem mitológica para alavancar uma história já vista exaustivamente no cinema, quase esquecendo seu verdadeiro propósito: aprofundar-se no misticismo da mumificação. A trama acompanha Charlie Cannon (Jack Reynor), um jornalista em missão no deserto cuja filha, sequestrada, reaparece após oito anos totalmente diferente e debilitada.

O longa utiliza o desespero dos pais como base para o primeiro ato, estabelecendo uma busca incansável. No segundo ato, o terror se estabelece quando a entidade dentro da garota revela sua face. Para o entusiasta, nota-se que esta nova produção da Blumhouse referencia obras como Cemitério Maldito e A Morte do Demônio: A Ascensão, apostando no gore e no terror "raiz", onde o mal incapacita o bem.



Contudo, embora entregue um terror visceral, seco e cru — resgatando elementos clássicos —, o roteiro invalida a premissa mitológica que seria o grande diferencial da obra. A Maldição da Múmia tinha potencial para ser algo curioso e focado no horror puro, mas decide padronizar sua trama em um formato genérico, apesar do excelente trabalho de maquiagem e figurino. As atuações ajudam a sustentar o filme; Laia Costa (Larissa), por exemplo, serve como um termômetro de qualidade, entregando uma performance que oscila entre o drama e o involuntariamente cômico. Ao final, a obra descaracteriza sua premissa original em favor de uma possessão desnecessária, perdendo a chance de se consagrar apenas com o enredo sugerido pelo seu gancho inicial.


NOTA DO CRÍTICO :6.0/10



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