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Leme,14/05/2026

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Dave Logan

MICHAEL (2026) de ANTOINE FUQUA - O Rei do Pop entre a Divindade e o Roteiro Raso.

A história do superstar pop Michael Jackson, desde seus extraordinários primeiros dias no Jackson 5 até o artista visionário cuja ambição criativa alimenta uma busca implacável para se tornar o maior artista do mundo.


MICHAEL (2026) de ANTOINE FUQUA - O Rei do Pop entre a Divindade e o Roteiro Raso.

O mundo inteiro parou quando o Rei do Pop deixou este mundo em 2009. O choque para a música e para a indústria, em geral, impactou em todos os sentidos. Michael Jackson tinha morrido.

A vida de Michael não é um mistério para o mundo. Toda a sua trajetória fazia parte do universo musical e da vida dos fãs; por isso, já era de se esperar que muita gente conhecesse a base sólida deste filme. A cinebiografia do Rei do Pop era um dos filmes mais esperados do primeiro semestre de 2026, mas seria possível o longa ter a mesma energia que Michael tinha? A idealização do "Rei" neste filme é devidamente notável, não se importando com a pessoa atrás do nome, mas sim com a imagem de Michael Jackson em todos os sentidos (o filme sofre do mesmo problema que a série de Ayrton Senna, produzida pela Netflix, onde a figura profissional se sobressai à pessoal).



MICHAEL é um tipo de filme que já nasce problemático por conta do vazio que o roteiro apresenta ao contar a vida do artista — de certa forma, é comum demais, e o "comum" não se enquadra na persona de Michael Jackson. Passando-se entre o nascimento dos Jackson 5 e o início da carreira solo do cantor, o filme apresenta uma narrativa acelerada que pouco se importa com a passagem de tempo. Tudo para poder mostrar boa parte de sua vida em duas horas de duração, essa decisão atrapalha a construção do personagem em si.

Diante de uma produção gigantesca, a Lionsgate apostou alto nesta história, aproveitando que a imagem do Rei do Pop está novamente em evidência — na verdade, ela nunca saiu, e o filme apenas reforça isso. A forma de mostrar os shows, as luzes e a fotografia dão um gás momentâneo para a trama, mas nada que você já não tenha visto em uma coletânea de músicas do Michael ou em algum flashback.



O cantor decolou alto quando assumiu sua carreira solo. Michael criava sua fama conforme o tempo passava e, neste novo longa, a ideia está presente, mas a execução deixa a desejar. É aí que a história começa a ficar vazia e sem aprofundamento: Michael é visto como um deus, sem complexidade, sem dramas e sem perdas.

E por falar em perdas, no início do filme é mostrada sua relação com o pai, Joseph, onde é notória a privação de certas liberdades. Mesmo com Colman Domingo entregando um papel excelente, o conflito existe, mas não chega aos pés do que realmente foi na realidade.



Para o fã de longa data, a imagem de Michael sempre será um monumento musical a ser consumido. Diante disso, o filme executa bem a performance de autenticar o astro como ele é: as músicas são o ponto alto da trama, especialmente durante os shows. Se para o fã isso é positivo (pois ele já conhece a história), para o espectador casual o impacto pode não ser o mesmo. Michael acaba se tornando uma história esquecível no cinema, que apenas segue a trajetória imortal do homem que moldou a música pop — o filme não sabe sustentar esse peso, e o bloqueio da liberdade criativa do diretor fica evidente.

Antoine Fuqua é um dos grandes diretores desde os anos 2000, com filmes que falam por si só, como os longas protagonizados por Denzel Washington. Fuqua sabe por onde andar, por isso a escolha dele para dirigir Michael faz sentido. Porém, o controle exercido pela família Jackson sobre a história deixou o roteiro com momentos vagos.

Em meio a uma montanha-russa de erros cênicos, temos um acerto que carrega o filme nas costas: a escolha de Jaafar Jackson para interpretar seu tio. O ator de 29 anos sabe exatamente o que fazer; ele não só atua, ele incorpora Michael Jackson. Sua atuação é louvável, mostrando um excelente trabalho de estudo e adaptação.

Quando os grandes hits de Michael começam a tomar forma, o filme se empolga sem muito esforço, deixando claro que a trama precisa mais da música do que a música da trama — sem esses sucessos, o longa ficaria vago e sem alma.


A comparação entre as cinebiografias é inevitável. Michael se aproxima demais da essência de Bohemian Rhapsody (2018), mas deveria ser semelhante a Deliver Me from Nowhere (sobre Bruce Springsteen) ou Rocketman (2019). No entanto, a necessidade de mostrar Michael apenas como o Rei do Pop fala mais alto, não deixando espaço para a vulnerabilidade.

Sendo assim, Michael não é uma bomba catastrófica, mas o longa poderia ter sido a melhor entre as cinebiografias por dois fatores: por ser sobre quem é e por poder consagrar a imagem do "homem que mudou o jogo". Mesmo com tentativas de benevolência cênica, o esforço não atende às expectativas, tornando-se o calcanhar de Aquiles de um filme que não encontra um caminho novo em uma história que o mundo todo já conhece.


NOTA DO CRÍTICO: 5.0/10



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