Dave Logan
MESTRES DO UNIVERSO (2026) de TRAVIS KNIGHT - Entre o visual brega dos anos 80 e o exagero do CGI, novo longa abraça a galhofa e entrega diversão descompromissada.
He-Man, o homem mais poderoso do universo, enfrenta o maligno Esqueleto para salvar o planeta Eternia e proteger os segredos do Castelo de Grayskull.

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ANÁLISE:
A história de He-Man é algo curioso de se pensar, porque um desenho teve que ser criado para poder vender os bonecos — que haviam sido criados antes pela Mattel. Com essa ideia de levar o brinquedo para a TV, surgiu uma febre imensa entre a garotada da época: Mestres (ou Defensores) do Universo.
O homem mais poderoso do universo, a cada dia, ganhava mais fama e mais espaço na mídia televisiva, mantendo um sucesso repentino desde então. Contendo 130 episódios compilados em duas temporadas, He-Man passou da televisão para as telas de cinema em 1985 com O Segredo da Espada, que consistia num enorme sucesso de cinema animado, ainda mais por He-Man e She-Ra juntarem forças nesse longa-metragem.
Dois anos mais tarde, He-Man teve seu desastroso live-action estrelado por Dolph Lundgren, em 1987. A transição da animação para o live-action não fora uma boa ideia, já que o longa não apresentava uma história sensata em relação às aventuras do Príncipe Adam/He-Man.

Com o passar dos anos, a vida e as aventuras de He-Man se expandiram até chegar aos dias de hoje com o lançamento do novo live-action, intitulado também como Mestres do Universo. E tudo o que podemos pensar é que a nostalgia bate muito forte nessas horas.
PELOS PODERES DE GRAYSKULL!!
Não é recente a proposta de lançar um novo live-action de He-Man. Essa conversa já existia desde 2010; porém, tal feito nunca ia para frente e esse projeto se esfriou com o passar dos dias — no quesito de longa-metragem, já que lançaram algumas animações durante esse intervalo de conversas. Até que a Netflix comprou os direitos de Mestres do Universo e lançaria um longa-metragem previsto para 2022, mas... cancelaram o projeto por conta de verba e gastos. Mais uma vez, He-Man foi engavetado. Depois desse hiato, os direitos do personagem foram comprados pela Amazon MGM para a produção deste live-action que, por fim, foi lançado nesta última quinta-feira. O mundo finalmente conferiria essa nova versão de Mestres do Universo.

Uma coisa é certa quando pensamos em algo que remete à infância de muitos: a nostalgia. Mestres do Universo, ou "o filme do He-Man", não precisa apelar tanto para esse lado, já que sua essência parte diretamente disso. Neste longa-metragem, a atmosfera envolta na história de Adam Glenn/He-Man idealiza inteiramente a galhofa que a animação tinha nos anos 80 — o filme não cria barreiras entre seu material de origem e seu novo cenário; o processo de transição formaliza exatamente isso. Sem moldar nada de novo, apenas usufrui de tudo o que a animação tem — logo, temos uma comédia bem "brega", mas que se justifica ser assim.
Mestres do Universo abraça um visual carregado de cores, tudo para deixar o Reino de Eternia o mais caricato possível e, para que isso aconteça, o filme abusa, em certos pontos, do exagero no CGI — o que, obviamente, deixa algumas cenas carregadas demais. Com bastante tela verde e poucos cenários naturais, He-Man se aventura nesse processo de efeitos visuais na esperança de naturalizar tudo.

Após o ataque do vilão maquiavélico Esqueleto ao Castelo de Grayskull e ao reino do Rei Randor e de sua rainha, o pequeno Adam é transportado imediatamente para a Terra para, então, crescer livre dos perigos vilanescos do seu nêmesis. Com o passar dos anos, Adam sente que seu verdadeiro lar é em outro lugar — outro reino —, e isso o faz sair em uma caçada incansável por sua espada e por uma passagem para casa: o Reino de Eternia.
Com um texto totalmente voltado para a estrutura e determinação da clássica "jornada do herói", Mestres do Universo caminha pelos vales da incerteza a ponto de duvidar de si mesmo — ou de sua capacidade em relação à narrativa —, mas logo essa dúvida começa a sumir quando Adam empunha a sua espada, grita a frase de efeito e cria uma atmosfera justa e eficiente, onde nasce o gás necessário para esse filme manter a sua capacidade de entretenimento.
EU TENHO A FORÇA!!!
Quando Adam é resgatado por Teela e ambos chegam a Eternia, ele nota uma grande destruição causada por Esqueleto, que almeja, mais do que tudo, a força e a magia de Grayskull — o castelo mágico onde residem o poder e os segredos da verdadeira força. A esperança é uma só: Adam poderá ou não ser o salvador de sua terra natal?
Da comédia abobalhada à ação oitentista, e dessa ação de volta para a comédia, essa transição de narrativa implica, em certos momentos, na desconstrução de algumas cenas, que vão perdendo o peso por conta de uma piada aqui e outra ali. Logo em sequência esses erros vão se consertando, mas a dinâmica acaba deixando a trama um pouco picotada exatamente por causa dessas transições.

A Filmation criou um desenho para vender bonecos, e a MGM fez um filme para honrar essa animação de extremo sucesso no século passado. Com essa nova versão, os atores tentam manter a essência dos personagens, e o mérito total disso fica por conta da performance de Jared Leto como Esqueleto, que não só atua, mas incorpora toda a faceta de um vilão caricato; Leto basicamente leva o filme nas costas, e a gente torce para sempre ter uma aparição do Esqueleto para rirmos e apreciarmos o vilão. Mas é algo inquestionável que Nicholas Galitzine sabe levar seu personagem ao caminho certo. O ator entende qual a dinâmica que o roteiro pede em prol do seu personagem e cria um Adam/He-Man presente e singelo para a trama.
Camila Mendes vive Teela nesse live-action; sua personagem é o ponto de equilíbrio entre os dramas e a ação compostos neste filme. Idris Elba transita entre o bom e o esquecível como Mentor, mas, quando o personagem necessita de destaque, o ator mantém a imponência inicial e faz um bom trabalho. Por mais que tenhamos poucas cenas com a Feiticeira, Morena Baccarin entende que o propósito da personagem é não estar o tempo todo presente, apenas quando Adam ou Grayskull necessitam.
Mestres do Universo é um filme com vertente oitentista, e isso fica visível por conta de seu visual, da narrativa e, principalmente, da trilha sonora que eleva bem as cenas de ação.

A correlação entre o mundo de Eternia e o planeta Terra parte diretamente da visão que Adam tem em relação a resolver os problemas. Ele tenta usar o pacifismo de seu emprego terrestre (no setor de RH) para elaborar planos e até mesmo amenizar o ódio no coração de alguns personagens — tal ato não agrega à história, já que a vida na Terra fora um escapismo da guerra, e trazer isso para Eternia apenas simboliza uma piada que poderia ser jogada de lado ou cortada desse longa.
Com uma narrativa abobalhada, mas que funciona em quase todos os momentos, "o filme do He-Man" necessita dessa diversão, tal qual a animação de 83: algo leve e moderado para se divertir por algumas horas com Adam Glenn aprendendo a ser herói da noite para o dia — e ele consegue.
Mestres do Universo é uma boa adaptação que se arrisca ao não apostar em uma atmosfera realista, mas que acerta na galhofa. Isso transforma tudo à sua volta, deixando a trama divertida e tranquila, tal qual um episódio de 1983.
NOTA DO CRÍTICO : 7.0/10




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