Dave Logan
CRÍTICA - FRANKENSTEIN (2025), de GUILLERMO DEL TORO
A nova versão alcança um modelo inovador para a recontagem de uma história amplamente conhecida no mundo da literatura e do cinema
poster do filmeSINOPSE: Um cientista brilhante, mas egoísta, traz uma criatura monstruosa à vida em um experimento ousado que, em última análise, leva à ruína tanto do criador quanto de sua trágica criação.
ANÁLISE:
Obviamente, Frankenstein é um dos personagens mais queridos e amados da cultura literária de todos os tempos. Com o passar dos anos, o 'Prometeu Moderno' teve algumas boas adaptações para o cinema, animações e séries de TV. O primeiro filme, lançado em 1931 e protagonizado pelo saudoso Boris Karloff, imortalizou a imagem de Frankenstein em sua forma mais famosa no cinema. A recepção foi tão positiva que ele logo começou a aparecer em várias produções, como a série de comédia "Os Monstros". Os anos se passaram e, em 1994, uma nova adaptação foi lançada: Frankenstein de Mary Shelley, que teve Robert De Niro como protagonista.
'Frankenstein' ou 'Prometeu Moderno' é um romance escrito por Mary Shelley, publicado pela primeira vez em 1818. Neste livro, a escritora cria, a partir de seus pensamentos, um "homem ideal" e tudo o que ela queria que ele fosse. Frankenstein sofre com a sua necessidade de 'viver' de forma pacífica e é obrigado a conviver com sua maldição para sempre, assim como o personagem mitológico grego: Prometeu.
Neste ano, temos a oportunidade de revisitar essa obra pelo olhar de Guillermo Del Toro, o diretor que sabe se portar no mundo da fantasia e criar um universo justo para seus personagens. Em entrevista, Del Toro mencionou que um de seus sonhos como cineasta era fazer sua própria versão de Frankenstein. O mais novo filme foi lançado em cinemas selecionados e terá sua estreia no serviço de streaming da Netflix no dia 7 de novembro de 2025 (vale ressaltar que a Netflix foi a produtora desta nova versão).
MEU CRIADOR CONTOU A SUA HISTÓRIA, POIS AGORA CONTAREI A MINHA...
Como dito, a nova versão de Frankenstein teve seu lançamento em cinemas selecionados antes da estreia na Netflix, e tivemos a oportunidade de ver essa obra nas telonas. Quando a nova versão foi anunciada, todos os fãs do personagem e do diretor ficaram animados. É notório que Del Toro se dedicou integralmente para que este filme saísse do papel de forma impecável, assim como era esperado por ele.
Dispensa-se a apresentação de como a história de Frankenstein é desenvolvida, mas é sempre importante lembrar as ambições que levam o 'Prometeu Moderno' a ser o que é. Isso fica por conta de Victor Frankenstein, interpretado por Oscar Isaac, o homem por trás da criação. Victor é obcecado pela ideia de transformar o mundo a partir de sua visão médica de reviver uma pessoa morta e reeducá-la. Victor brinca de Deus e desafia as próprias leis impostas pelo destino ao levar suas ambições adiante.
Dividido em 3 partes, o novo Frankenstein consegue estabelecer uma narrativa equilibrada, já que não se trata de uma história original, mas sim de uma nova versão de um clássico. Del Toro, por sua vez, sentiu que essa era a abordagem ideal para o desenvolvimento e aplicou uma dinâmica de começar o filme pelo final, para que a história voltasse ao início — e isso funciona, pois demonstra uma construção com suma paciência na escrita do roteiro.
Para que a história siga um ritmo contínuo, a produção decide investir em outras camadas do novo Frankenstein, proporcionando uma experiência cinematográfica ao apresentar cenários bem elaborados e a beleza contemporânea que a fotografia deste filme tem a oferecer. A partir disso, Frankenstein se torna uma poesia cinematográfica com versos literários.
Quando associamos a 'loucura' de Victor ao realizar tal feito, logo nos deparamos com o (re)nascimento de um ser que, a partir dos métodos da ciência, consegue ver, andar e falar como uma pessoa. Mas antes de tudo isso, é preciso conhecer o mundo à sua volta, e para esse "ser", tudo é novidade, pois está sendo visto e sentido pela primeira vez.
Para a criatura, o que seria a vida? E para seu criador, o que seria a morte? Essas duas perguntas começam a modelar sua importância quando Victor atinge seu desejo e compreende seu erro. Já a criatura, que compreende a sua razão de ser a partir do desespero, sente que o ato de sentir também faz parte dela.
Victor buscava a grandeza e, ao atingi-la, decide acabar com tudo de uma vez. No entanto, quando a decisão de acabar com tudo é tomada, é tarde demais para ele. A criatura, após entender as coisas, começa a perseguir seu criador em busca de respostas e de uma tentativa de acabar com sua dor.
Ao experimentar a vida, a criação começa a vivenciar bons momentos ao se deparar com pessoas que não a julgam pela aparência, mas que são gratas por seus feitos. Isso a faz entender que as coisas acontecem porque têm que acontecer, e se ela está ali, é porque o destino quis.
O novo Frankenstein se molda como um filme de arte, feito por uma pessoa que ama a arte, que honra seu material original e consagra a fantasia coloquial dessa história como algo belo, motivador e aprofundado. Del Toro consegue extrair o lado mais humano de uma criatura feita por mãos humanas, transmitindo uma sensação de bondade em relação ao ser, de capacidade de compreender, amar e perdoar, principalmente quando se trata de Elizabeth, interpretada por Mia Goth, a pessoa que faz seu coração palpitar um pouco mais rápido.
Com um vasto campo de boas atuações, o novo filme de Frankenstein é enriquecido por boas caracterizações. O elenco utiliza suas ferramentas a favor da narrativa, como visto pelo "monstro" interpretado por Jacob Elordi, que oferece uma atuação magistral em prol da busca por se conhecer e se entender. Mia Goth desempenha um papel fluido, mas precisava de mais tempo de tela, já que se torna uma personagem consideravelmente importante. Oscar Isaac dá um show de atuação como Victor Frankenstein; sua expressão corporal explora muito do conceito teatral do ator, tornando tudo o que o envolve ainda mais profundo. Todo o elenco de apoio se mantém firme e ajuda a engrandecer todas as cenas.
Mas... a nova versão de Frankenstein é boa? Sim, meu caro leitor, essa nova versão é a que mais se aproxima da obra literária original. O diretor se compromete de corpo e alma para que este filme atenda a todas as suas necessidades como fã, e deixa claro que filmar Frankenstein foi uma experiência consagradora para ele e, principalmente, para o espectador que aguarda essa nova versão.
NOTA DO CRÍTICO: 10/10




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