Dave Logan
A EMPREGADA (2025) de PAUL FEIG - Entre o Mistério e a Previsibilidade
Na esperança de um novo começo, uma jovem se torna empregada doméstica em tempo integral para um casal rico que abriga segredos sinistros.
O primeiro "grande" filme lançado em 2026 no território nacional já está gerando debates sobre a temática de seu roteiro. "A Empregada", baseado no livro de Freida McFadden lançado em 2023, teve sua adaptação cinematográfica estreada nesta última quinta-feira. (Vale ressaltar que este texto se dedicará exclusivamente ao filme, e não à obra literária).
É notório que, quando uma trama conquista espaço no mundo dos livros, não demora a ser transposta para o cinema — como ocorreu com "É Assim que Acaba", cujo livro de 2016 chegou às telas em 2024. Nesta adaptação, vemos um diretor que tenta ser preciso em todos os momentos para agraciar os fãs da obra original. A narrativa foca quase integralmente no gênero thriller, utilizando recursos como a "aparição repentina" de uma das protagonistas para criar uma atmosfera que se assemelha à de um filme de fantasmas.

Com uma história que beira as loucuras humanas, o longa entrega bons momentos de tensão, muito graças à trilha sonora, que atua de forma precisa conforme as verdades vêm à tona. A trama acompanha Millie (Sydney Sweeney) que, após um passado sombrio, tenta reconstruir sua vida aceitando o emprego de empregada na luxuosa casa da família Winchester. Contudo, o cotidiano se torna estranho à medida que Nina (Amanda Seyfried) começa a demonstrar traços de psicopatia.
Durante o desenvolvimento, algumas contradições técnicas surgem. Embora o roteiro exija atuações concentradas na indecisão, no medo e na incerteza — e as atrizes centrais executem bem seus papéis —, em certas cenas a competitividade entre as duas torna-se excessivamente evidente.

O filme possui uma introdução rápida, estabelecendo o mistério logo de início. O ritmo acelera com a aparição de Andrew (Brandon Sklenar), marido de Nina, que passa a alimentar a narrativa. Para quem leu o livro, os acontecimentos não são surpresa; já para quem não leu, a trama flerta com a previsibilidade conforme os personagens se conectam e a história se torna progressivamente anormal. O filme muda seus horizontes rapidamente, em um ato que parece desesperado para não omitir detalhes, mas, mesmo com duas horas de duração, sente-se que a história precisava de um pouco mais de fôlego.
Com atuações acima da média, A Empregada surge em um cenário cinematográfico que, embora sature o público com histórias semelhantes, recorre às adaptações literárias como uma aposta segura diante da escassez de ideias originais.
Mas, afinal, A Empregada é um bom filme? Pela junção de gêneros, a obra caminha pelo "vale da escuridão" na esperança de ser uma luz no fim do túnel para o início de 2026. É uma história que aposta alto no mistério, mas que entrega um gás narrativo limitado, sustentando-se principalmente pelos pequenos plot twists apresentados.
"A EMPREGADA" ESTÁ EM EXIBIÇÃO NOS CINEMAS.




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