Dave Logan
TODO MUNDO EM PÂNICO (2026) de MICHAEL TIDDES - Entre piadas forçadas e nostalgia vazia, a franquia prova que deveria ter ficado no passado.
Após escaparem de um assassino mascarado suspeitosamente familiar, Shorty, Ray, Cindy e Brenda tornam-se alvos de um novo maníaco mascarado.

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ANÁLISE:
O cinema está sempre em constante mudança, tudo na esperança de ampliar e melhorar as suas pautas, opiniões e questões sobre filmes e/ou a indústria cinematográfica como um todo. E, com essa mudança, alguns gêneros acabam sofrendo mais alterações do que outros; dentro desse fogo cruzado, a comédia é o que mais sai perdendo. A comédia pende para vários subgêneros, como: comédia dramática, comédia romântica, a comédia comum, a comédia pastelão e a comédia besteirol. Várias vertentes sobre uma coisa só.
Um dos filmes pioneiros da comédia besteirol ganhou mais um longa — contabilizando seis longas —, intitulado como "Todo Mundo em Pânico". Essa nova versão poderia ser o último suspiro desse subgênero, dando esperança para que filmes dessa magnitude possam voltar a ser lançados? Todo Mundo em Pânico moldou uma perspectiva de comédia diferente nos tempos de brilhantina e ascensão; a forma de satirizar filmes famosos da época deu fama para esse tipo de filme, e era algo inesperadamente legal...

O último filme da franquia foi lançado em 2013 e trazia uma comédia forçada que induzia o filme a basicamente se arrastar para finalizar. A trama é cansativa, tal qual as piadas, que perdem a pouca força que têm durante as cenas. Quando anunciado o sexto filme, o primeiro pensamento de todos foi o de que esse subgênero voltaria a ter a força que tinha na década de 2000, mas as coisas mudam, e mudaram muito para a comédia de Todo Mundo em Pânico.

Aqui, vemos a nova tentativa de satirização de todos os filmes de terror que estão em alta ultimamente; porém, o longa não hesita também em "zoar" a nova geração, que não gosta desse tipo de filme. Acontece que isso não é o problema dessa narrativa, e sim de como a atmosfera se força a todo momento para poder ser "engraçada", coisa que os primeiros filmes faziam sem força alguma. O novo Todo Mundo em Pânico não sabe a verdadeira forma de buscar um riso sincero de quem está assistindo, então apela para o absurdo (assim como a série televisiva The Boys fez com a sua narrativa: forçação).

A ideia da quebra da quarta parede e a metalinguagem funcionam de certa forma, mas, o tempo todo, acabam saturando, deixando a trama ainda mais carregada a ponto de tudo cansar — mesmo sendo cansativo, eles fizeram bem em mesclar a realidade e a ficção de suas obras passadas.
Não tendo uma história uniforme, o novo longa tenta ser um recorte de tudo, mas não agrega em nada. A falta de criatividade no desenvolvimento do roteiro revela uma grande falta de ideias para um filme que prometia uma volta triunfal para o campo do cinema de comédia.
O retorno dos irmãos Wayans para a franquia só teve peso quando anunciado, pois, dentro desse longa, a única coisa que se salva é o apelo nostálgico de seus respectivos personagens em tela novamente — o novo Pânico apela demais para a nostalgia porque não consegue se garantir em uma piada sequer. Como exemplo, a cena inicial mais gera raiva por ser mal feita do que vontade de rir, diferente de Todo Mundo em Pânico 2, que exerce um ótimo gancho inicial.

A comparação desse novo filme com os antigos é necessária. Tudo o que fizeram no passado, aqui eles abandonam e tentam algo novo, mas se forçam demais em manter a sua originalidade dentro de um subgênero que precisa de outros filmes para poder existir. O reencontro entre as amigas Cindy e Brenda até consegue ter um peso, mas logo se perde por conta de piadas mal escritas e forçadas a todo momento — a junção das duas já tinha potência o suficiente para ser engraçada, mas se perde por nada.
Esse reboot/sequência de Todo Mundo em Pânico não serve para nada, apenas para mostrar novamente que um dia foram bons, mas que devem ficar no passado. Com um humor assumidamente mal feito, o sexto filme poderia ter ficado apenas na ideia, e os irmãos Wayans poderiam focar em outros projetos os quais poderiam ser mais explorados em questão de comédia.
NOTA DO CRÍTICO:1.0/10




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