Seja bem-vindo
Leme,24/02/2026

  • A +
  • A -
Publicidade

Dave Logan

HAMNET - A vida Antes de Hamlet (2025) de CHLOÉ ZHAO - A arte como processo de cura

William Shakespeare e a sua esposa, Agnes, celebram o nascimento do seu filho, Hamnet. No entanto, quando a tragédia atinge e Hamnet morre ainda jovem, isso inspira Shakespeare a escrever a sua obra-prima intemporal, Hamlet.

HAMNET - A vida Antes de Hamlet
HAMNET - A vida Antes de Hamlet (2025) de CHLOÉ ZHAO -  A arte como processo de cura

William Shakespeare é um nome amplamente conhecido em diversas mídias — o que faz total sentido, considerando o impacto de suas obras literárias e teatrais. No cinema, sua vida já foi adaptada algumas vezes, mas o foco costuma recair quase sempre sobre suas criações, e não sobre o homem por trás delas.

HAMNET - A Vida Antes de Hamlet é um filme que vem conquistando o público ao apresentar a condição humana "à flor da pele", emoldurada por um cenário rico em detalhes. A obra é uma adaptação do livro de Maggie O'Farrell (2020) que, embora seja uma ficção, carrega verdades profundas em sua essência.



"Ser ou não ser?... Eis a questão!"

Essa pergunta ecoa através do tempo e do espaço. Carregando uma filosofia oculta, seu intuito é provocar a reflexão sobre tudo e todos, fruto do pensamento inquieto de Shakespeare. O filme expressa essa grandiosidade por meio do sentimento humano, moldando a história conforme os acontecimentos transformam a imagem de "Will" no gênio que conhecemos.

Essa transição, no entanto, não é leve. É preciso atravessar o luto para narrar a história como ela é. Esse é o caso de sua obra mais famosa, Hamlet, concebida a partir da perda de seu filho, Hamnet. Com uma estética voltada ao naturalismo, o filme elabora um dinamismo preciso entre cena e roteiro. Os enquadramentos panorâmicos captam a essência e os pontos de fuga como se a perspectiva artística tivesse voz própria, elevando o resultado final.



O roteiro é vivo e exala uma concepção que remete aos paralelos teatrais — o berço da identidade de William. Com poesia cênica e sentimentalismo onipresente, a diretora Chloé Zhao sabe onde quer chegar. Antes do luto, testemunhamos a construção de um casal, de uma família e de sonhos postos em prática.

Ao levar essa história para as telas, Zhao mergulha na vida e na morte de Shakespeare. A presença do autor transborda no filme, muito graças à atuação de Paul Mescal, que entrega mais do que técnica: ele entrega a alma ao personagem.

O que torna Hamnet um filme preciso? Quando o tema central atinge sua real importância, o longa explora a sensação de vazio como uma prisão de si mesmo. Ele define a arte como o remédio para o casal William e Agnes (Jessie Buckley), que volta a enxergar cor na vida por meio da criação. O filme usa a imagem para fazer o espectador "sentir" o cinema, resgatando uma profundidade sentimental que por vezes parece esquecida.

Falar de Shakespeare é, automaticamente, falar de arte em grande escala. Ver o bardo interpretado por alguém que compreende seu valor nos transporta de volta ao início de tudo. Hamnet - A Vida Antes de Hamlet é uma obra necessária. Independentemente do tema, o cinema precisa dessa profundidade. O filme mostra-se competente o suficiente para se tornar uma referência no gênero, chegando com força total ao Oscar 2026 com oito indicações.



COMENTÁRIOS

LEIA TAMBÉM

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.