Dave Logan
SUPERGIRL (2026) de CRAIG GILLESPIE - Apostando no feijão com arroz: como o novo longa da DC abraça a simplicidade para introduzir Kara Zor-El no DCU.
Um adversário inesperado e implacável ataca perto demais de casa. Mesmo relutantemente, Supergirl une forças com um aliado improvável em uma jornada interestelar de vingança e justiça.

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ANÁLISE:
O universo do novo DCU está cada vez maior. No ano passado, o Superman fez a sua estreia nessa nova roupagem; agora, é a vez de sua prima dar as caras nas telonas e apresentar seu imenso poder. SUPERGIRL já está em todos os cinemas para presenciarmos uma outra vertente kryptoniana.
Kara Zor-El (Supergirl) tem pouco destaque na mídia cinematográfica e também na televisão, mas isso não quer dizer que a heroína nunca teve uma adaptação — muito pelo contrário. A CW lançou em 2015 uma série que contaria as origens da prima do Superman, rendendo seis temporadas. Contudo, Kara deu as caras pela primeira vez no cinema em 1984, em um filme um tanto quanto inconveniente e mal feito. Na série de sucesso televisivo da época, Smallville, a super-heroína também teve uma participação especial, assim como no desastroso filme The Flash, onde vemos uma versão alternativa dela. Supergirl foi criada em 1959 e teve a sua primeira aparição em Action Comics #252.

"O Superman vê a bondade, eu vejo a verdade nas pessoas."
O que esperar de um filme que usa o clichê como base para sustentar todo o seu roteiro? Supergirl é o tipo de produção que não deseja sair da bolha do conformismo igualitário, e é por isso que a trama acaba ficando "água com açúcar" — não temos a devida complexidade, nem na personagem e muito menos na história. Porém, a essência apresentada nesse novo longa propõe que ele apenas deseja contar uma história da personagem, e não "A" história da personagem — como foi o caso de Superman.
Baseando-se em Mulher do Amanhã, o novo filme da DC não estende a dramatização contida nas páginas dos quadrinhos, suavizando a história para que a introdução da Supergirl nesse novo universo seja, de fato, simplista — dando uma pequena esperança para desafios maiores no decorrer dos anos.

Tendo como base a atmosfera de Guardiões da Galáxia (2014) — dirigido pelo chefão da DC, James Gunn —, Supergirl adquire um contexto inocente que se assemelha a uma Sessão da Tarde ou a um "filme pipoca" com a aventura da vez. Com uma boa trilha sonora, Kara tenta se reerguer na esperança de esquecer o luto em relação à perda de seus pais e de seu planeta, Krypton. Diante desse cenário, a heroína busca refúgio na bebedeira em mundos dominados pelo sol vermelho para poder "viver" sua juventude, desprendida de responsabilidades.

Aqui, vemos uma boa consistência em manter o tom de aventura. Quando alguma lacuna começa a aparecer, ela é rapidamente preenchida com a carga emocional da protagonista, que pouco pesa diante da narrativa. Temos grandes cenas de batalhas e cenários grandiosos, mas pouco desenvolvimento em prol do determinismo que cerca essa história. Supergirl poderia ter entrado por outro caminho, mas decide manter tudo no morno, fazendo disso a sua melhor escolha.
Como dito no parágrafo acima, o tom aventuresco demanda quase toda a narrativa. Porém, como trama secundária, vemos Kara na esperança de salvar seu fiel companheiro Krypto, que fora envenenado pelo vilão Krem. Kara usa o desespero para sustentar sua raiva em busca do vilão e, principalmente, do antídoto. É nessa busca que acontece a introdução do Lobo. Mas quem é o Lobo? Ele é conhecido como "O Maioral" nas HQs, sendo um dos anti-heróis mais violentos de toda a DC. Lobo dizimou a sua própria espécie e, por ser assim, nem o céu e nem o inferno o querem.
Durante o processo de desenvolvimento do filme, vemos alguns flashbacks que explicam muito bem o passado da personagem e, principalmente, o fim do planeta Krypton. Kara explica para a sua aliada, Ruthye (Eve Ridley), o peso do luto, o controle da raiva e a incompreensão da perda, mostrando o quão forte é preciso ser para apoiar os demais — uma rápida passagem pelo drama pessoal para modificar a trama e dar motivos para as próximas cenas.
Por mais que nas páginas de Mulher do Amanhã não haja a presença do Maioral, no filme a sua participação se torna algo interessante — já que existia uma grande curiosidade do público sobre como seria Jason Momoa no papel do anti-herói. O resultado foi bom? Ele cumpriu o esperado. Momoa se diverte interpretando o Lobo, e isso muda toda a jogada.

Voltando para as consequências que uma história simples carrega consigo, em Supergirl temos a presença de um vilão genérico e mal desenvolvido, que quase fica apagado e afundado diante de tudo o que vai acontecendo: Krem. A importância desse vilão é irrelevante desde o início do filme, pois, com ou sem ele, a narrativa rodaria normalmente.
Durante as cenas de explosão e lutas que vão de A a B rápido demais, Supergirl renova o seu gás. As lutas são bem-feitas, bem montadas e com ótimos movimentos de câmera para exemplificar a velocidade e a força da personagem. Kara não tem dó de seus adversários: ela brinca, bate e os joga longe. Quando tudo isso acontece ao mesmo tempo, temos uma boa fotografia para apreciar o universo e os planetas com sóis diferentes.
Mas, sem surpresa para ninguém, quem carrega o filme todo nas costas é a protagonista, e não poderia ser diferente. Milly Alcock parte de Rhaenyra Targaryen para a heroína kryptoniana, e a execução de sua performance mostra uma eficiência acima da média. Alcock compreende a sua persona e faz disso a sua melhor arma — assim como David Corenswet fez com o seu Superman no filme do ano passado (que, a propósito, conta com uma participação especial de Kal-El que aquece o coração dos fãs do Azulão). Quase todo o elenco de apoio consegue uma breve cena para atuar, mas o filme não tem tempo suficiente e foca apenas nos principais, na esperança de fazer tudo correr bem ou de forma justa.
Mas... o filme da Supergirl é algo "Super"? Digamos que não. Por mais que a trama passe por altos e baixos, misture histórias onde não devia e quase se leve a sério demais, o novo longa se sustenta no padrão já visto milhares de vezes dentro do gênero de super-heróis. Porém, isso não é algo ruim, e sim a melhor forma de introduzi-la no DCU: apostando no simples.

NOTA DO CRÍTICO: 6.9/10




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