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Leme,08/07/2026

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Dave Logan

ENOLA HOLMES 3 (2026) de PHILLIP BARANTINI -Uma mistura confusa de tramas que desgasta o potencial da franquia.

Em busca de aventura, a detetive Enola Holmes vai a Malta, mas o desaparecimento de Sherlock atrapalha seus planos e ela se vê envolvida em um caso desafiador.


ENOLA HOLMES 3 (2026)  de PHILLIP BARANTINI  -Uma mistura confusa de tramas que desgasta o potencial da franquia.

ANÁLISE:

Millie Bobby Brown estrela o terceiro capítulo sobre a irmã do detetive mais famoso de todos os tempos: Sherlock Holmes. O feito de um terceiro filme produzido por um streaming de sucesso garante, por si só, um grande investimento para que essa película pudesse ser feita — o caso de Enola Holmes 3 se encaixa perfeitamente nisso, mas... o que poderia agregar um terceiro filme se não fosse o contexto investigativo?

O nome "Holmes" já deixa subentendido que a trama será sobre um mistério que gerará repercussão, mas, acima disso, atrairá a atenção de um detetive. O primeiro longa foi lançado pela Netflix no ano de 2020 e trazia uma cômica e divertida aventura envolvendo uma "Holmes", mas não Sherlock, e sim sua irmã mais nova: Enola.



O glamour de uma boa produção pairava dentro da narrativa que garantira mais um longa, lançado em 2022, mantendo a essência "investigativa abobalhada" que funcionou perfeitamente bem. Isso poderia e deveria estar no terceiro filme, que, por mais clichê que se tornasse, ainda se manteria nos trilhos de uma boa contação de história.

Enola Holmes 3 sofre com alguns deslizes da própria narrativa que, em determinadas partes, não sabe para onde quer levar o filme, transformando a história numa grande compilação de várias coisas resultando em nada: o filme precisava de um bom empurrão, mas em momento algum tal ato acontece.

Seria interessante apressar a vida da personagem central para se casar e abandonar suas aventuras a longo prazo? Desde o primeiro filme, nota-se que a Netflix tinha um plano para expandir a vida dos Holmes na tela do streaming. Esse processo de aceleração condiz com a realidade em que a atriz protagonista se casou, e queriam que sua personagem também casasse — coisa que não aconteceu em Stranger Things, onde deram espaço para o desenvolvimento dela, o que não foi o caso aqui, principalmente neste terceiro capítulo.

A vida de Enola é um mar de várias coisas. Quando a cerimônia de casamento começa a dar seus primeiros passos, um desaparecimento ocorre, gera uma grande repercussão e deixa sua vida de cabeça para baixo: Sherlock Holmes está desaparecido. Na esperança de solucionar esse caso, Enola deixa o seu casamento de lado na expectativa de encontrar seu irmão.



A narrativa tem essas duas histórias recorrentes a todo momento, sem parada para respirar. Obviamente, as duas coisas iam se encontrar e se embaralhar, transformando tudo numa bola de neve — Enola Holmes 3 não sabe exatamente que tipo de filme deseja ser, o que quase o transforma em algo sem identidade, diferentemente dos filmes antecessores.

Com uma produção que nos teletransporta para a época em que o filme se passa, o terceiro capítulo apenas tem isso como salto qualitativo, sendo que a base fílmica (o roteiro) regressa em questão de desenvolvimento de camadas e, principalmente, pautas.

Uma das coisas que mais chamou atenção no primeiro filme foi o visual jovial de Sherlock Holmes, interpretado por Henry Cavill, que mostrava um dinamismo diferente e ousado para a mitologia do personagem que estava em ascensão. Nesse terceiro longa, essa caracterização é apagada e deixada de lado, na tentativa de deixar Sherlock menos imbatível no contexto de argumentação — ele está preso e o filme pouco se importa com isso. Mesmo sendo um personagem coadjuvante, Sherlock ainda é importante.



Millie Bobby Brown tenta, e essa tentativa não pode ser jogada de lado. A atriz não teve uma boa repercussão na última temporada de Stranger Things, em que sua atuação era sem emoção e totalmente duvidosa, coisa que aqui não acontece. A forma como Millie alimenta sua personagem nesse quesito atende mais às necessidades de atuação corporal do que facial, e isso mascara a sua forma de atuar, deixando a sua performance mais sociável e até mesmo aceitável para os fãs da atriz.



Enola Holmes 3 é um tipo de filme de que essa possível franquia não precisa, não pela quantidade, mas pela qualidade narrativa de não saber o que fazer com o material que tem, sendo que poderia ter focado apenas em uma coisa, o que consequentemente mudaria toda a perspectiva aqui apresentada.


NOTA DO CRÍTICO: 5.0/10



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