Dave Logan
HOMEM-ARANHA: UM NOVO DIA (2026) de DESTIN DANIEL CRETTON - Entre o peso da responsabilidade e novas ameaças urbanas, o quarto filme de Tom Holland prova que o Homem-Aranha continua no seu auge.
Após o mundo ter esquecido seu nome, Peter Parker inicia um novo capítulo em sua vida, conciliando as aulas da faculdade, um trabalho de meio período e sua responsabilidade como o Homem-Aranha. Mas quando uma força misteriosa começa a desmantelar a cidade
Cinco anos após o lançamento de um dos maiores encontros da história da Marvel no cinema (Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, que reuniu os três cabeças de teia das telas), um novo filme do escalador de paredes finalmente lançou — e, para a alegria dos fãs, "Um Novo Dia" segue tendo a mesma chama ardente de emoção que essa franquia vem trazendo para o cinema. A expectativa para esse filme estava devidamente alta, mas... realmente foi bom assim?
O Homem-Aranha é o tipo de personagem que todo mundo, talvez, possa não amar, mas todo mundo gosta. O fato de gostarem dele é por conta da vida que o personagem leva: ele não é só um super-herói, é também um humano que faz de tudo para sobreviver e, principalmente, pagar as contas. Essa simplicidade pode ser a porta de entrada para muitas pessoas prestarem atenção nele, mas o fato heroico... aí formaliza uma outra questão em prol do personagem: a responsabilidade.

O Homem-Aranha foi criado em 1962 pela mente de Stan Lee e desenhos de Steve Ditko. Sua primeira aparição foi em "Amazing Fantasy #15". Sua estreia foi tão bem-vista que, logo em seguida, ele conquistou as suas histórias solo.
"Um Novo Dia" é o quarto filme do Homem-Aranha no Universo Cinematográfico da Marvel (MCU) desde 2017, quando seu primeiro longa-metragem solo foi lançado. A forma como o MCU vem tratando o personagem interpretado por Tom Holland justifica bem a sua trajetória ao longo dos anos. Nesse novo filme, Peter está tentando lidar com a sua vida pessoal da forma mais simples possível, enquanto seu papel heroico em Nova York é bem reconhecido pelos cidadãos. A dinâmica inicial, ou primeira camada, mostra exatamente isso: um garoto sozinho tentando viver a sua vida.
O filme se divide em alguns pontos na própria história. Essa ideia de divisão vem diretamente do roteiro para dar aquele "gás" narrativo que se engrandece a cada acontecimento. A maneira linear de contar a história com vários personagens dá sentido ao caminho que o filme decide trilhar: o do autoconhecimento e de novos desafios pessoais, contendo uma boa carga de questões emocionais.

Como dito, o filme é, de certa forma, dividido: os primeiros minutos se concentram no bom e velho fan service, onde as referências aos quadrinhos formulam um quadro a cada frame. É lindo de ver em tela, saudosista para quem leu no lançamento e um encantamento para quem está chegando e desfrutando do personagem agora. É algo convidativo a participar das próximas duas horas de filme.
Cada encontro com outros personagens traz consigo naturalidade, pois em Nova York temos vários defensores urbanos. A presença de Frank Castle no filme dá vigor à cena — o contraste entre o mau humor do Justiceiro e o bom humor do Homem-Aranha agrega bastante em cenas cômicas: o agridoce adicionado de maneira correta.
Peter está passando por um processo de amadurecimento de seus poderes. Seus instintos aracnídeos estão à flor da pele, a ponto de se tornarem quase incontroláveis, e essas mudanças afetam seu psicológico, fazendo-o ir atrás de Bruce Banner para obter respostas e neutralizar essas alterações em seu DNA.

Quando vemos as cenas de ação ou as sequências com determinado drama, não se pode deixar de notar o cenário ao redor dos personagens: Nova York quase se torna um personagem próprio. A forma como Destin Daniel Cretton filma pequenos detalhes engrandece demais o contexto cênico do que está em pauta no momento. Essa Nova York assemelha-se demais com a que vimos na trilogia dos anos 2000, dirigida por Sam Raimi e protagonizada por Tobey Maguire (o Aranha/Peter favorito de muita gente).
Quando as notícias apareciam durante as filmagens desse novo capítulo, especulava-se que a nova trama seria algo urbano — pelas ruas da vizinhança onde o Homem-Aranha atua. Aqui, mesmo sendo urbano, o novo filme mostra que dá para fazer uma boa história sem pender para o lado da complexidade, apenas uma boa narrativa vinda das páginas dos quadrinhos.
No decorrer do longa, uma pulga atrás da orelha começa a nos incomodar quando a "ameaça" começa a dar as caras. Uma ameaça invisível que pula de mente em mente... como o Aranha poderá parar isso? Essa forma de "esconder" a ameaça, mas mostrando a sua força, deixa claro que foi uma jogada provocativa da própria produção, tudo para prender a atenção e gerar a máxima curiosidade em relação ao longa-metragem.

Entrando no campo da ameaça, a personagem interpretada por Sadie Sink (não revelaremos quem é por questões de spoiler) é a maneira de sustentar a dúvida causada por esse perigo — a personagem não é de todo uma vilã, e sim uma antagonista cujo propósito é uma busca e, nessa busca, ela mostra algumas de suas habilidades.
Quando foi lançado o primeiro trailer de "Um Novo Dia", as implicâncias em relação à participação de Zendaya eram grandes, por conta de seu arco ter sido "finalizado" no filme de 2021, mas... temos um grande motivo para ela, assim como Jacob Batalon (Ned), estarem presentes. Eles se tornam o motivo para Peter sempre querer estar por perto, principalmente de MJ. A participação dos dois é tão importante quanto a de Jon Bernthal ou de Mark Ruffalo. Como havia mencionado, o roteiro linear sabe como colocar tudo em prática.

Assim como em "Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis" (2021), Destin Daniel Cretton também aplica em "Um Novo Dia" grandiosas lutas mano a mano e performáticas. O diretor entende que a ação faz parte desse universo, mas que a trama não precisa depender essencialmente só dela, e é aí que o espetáculo coreográfico começa a dar seus passos. Todas as lutas são boas e fazem jus ao que o Homem-Aranha é: um protetor de todos os que puder salvar.
Homem-Aranha: Um Novo Dia não só vale o seu ingresso, mas também a sua atenção e, principalmente, a sua admiração. Mesmo a Marvel tendo passado por altos e baixos, o cabeça de teia segue invicto na qualidade de suas histórias e confirma que "Um Novo Dia" trouxe consigo um excelente novo capítulo a ser desenvolvido.
NOTA DO CRÍTICO: 9.5/10.




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