Dave Logan
A ÚLTIMA CASA (2026) de LOUIS LETERRIER - Uma boa premissa lovecraftiana que se perde no tédio e em decisões absurdas.
A Última Casa é um filme americano de ficção científica e suspense de 2026, dirigido por Louis Leterrier e escrito por Matthew Robinson
Tem uma coisa que se exalta logo de cara nesse novo filme da Netflix: ver Wagner Moura dentro de um filme de gênero. Isso mantém a trama de todas as formas possíveis, pois A Última Casa é um mar de inconveniências e decisões que testam a inteligência do espectador.
Sendo um dos filmes mais esperados para este segundo semestre de 2026, o longa aborda uma temática interessante, mas esse conceito é vetado por uma conclusão que beira o insaciável em questão de alinhamento de narrativa e desconstrução de profundidade, tornando-se raso a cada frame.

Uma chuva misteriosa começa a tomar força ao longo dos dias, fazendo com que cada morador fique trancado em sua casa sem um pingo de esperança de sair. À medida que o tempo passa, nota-se que fora das casas residem seres de outro planeta que ameaçam a vida humana na Terra. A família de Jason é o foco central dessa trama e, no meio disso, vemos todos os conflitos que surgem perante o medo do desconhecido.
O texto que esse filme carrega consigo daria facilmente um terror cósmico ao nível de H. P. Lovecraft — é basicamente uma história lovecraftiana disfarçada com um drama familiar bem sem graça. O filme não usa essa roupagem literária para exalar o contexto dentro e fora de casa para deixar a obra recheada como deveria ser. Durante o desenvolvimento da narrativa, uma das coisas esquecidas é esse conceito lovecraftiano, que fica imposto apenas na ideia inicial de A Última Casa.

As medidas tomadas do segundo ato em diante determinam más decisões que fazem o filme declinar — o conflito não é falho, é bobo. Havia necessidade de desmerecer uma narrativa que estava boa para seguir esse rumo? A resposta definitivamente é "não". Esse declínio é provocado apenas pelo diretor, que achou que a força da compreensão seria a arma ideal para derrotar os monstros "cthulhentos" aqui presentes — isso redefine a essência de coisas forçadas, de um jeito que nem mesmo o Capitão Nascimento seria capaz de parar tanta ousadia.

Sem pensar demais no fio narrativo falho desse novo filme, há algo que resgata uma era difícil para o ser humano: o período da pandemia de 2020, quando todos viveram isolados em suas casas. Aqui, a questão em cena é mostrar as façanhas de um pai fazendo de tudo para salvar a sua família em todos os sentidos — principalmente do tédio de estar preso sem saber o motivo, quando ainda é preciso viver e seguir na medida do possível. Jason é o pilar da família, um pai que bate no peito e resolve os problemas. O tempo passa, as coisas mudam e sua família o culpa por nada fazer (?).
O problema real de A Última Casa está em como finalizar essa história. Há tantas inconveniências acontecendo que é preciso passar 5 anos preso em casa para tomar uma decisão que deveria ter sido tomada lá atrás. Isso começa a invalidar a narrativa, fazendo-a perder a força a cada segundo que passa. A galhofa toma conta de tudo no ato final: o filme perde a sua identidade, faz disso o cenário principal, "chuta o pau da barraca" e simplesmente dá sequência.

Diante dos tropeços propositais que A Última Casa causa para si mesmo, Wagner Moura — com uma atuação justa, mas que carrega o filme nas costas — toma a frente como chefe da família na esperança de salvar as pessoas que ama, e também toma a frente como ator para tentar salvar o filme de alguma forma. Se isso resolveu, só assistindo para descobrir. A Última Casa já está disponível no catálogo da Netflix.
NOTA DO CRÍTICO: 4.9/10




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