Dave Logan
OUTRA MAMÃE (2026) de ROB SAVAGE - um terror previsível que se perde entre o drama e o clichê.
Bela, uma garota de oito anos que vive em um lar com problemas conjugais, enfrenta uma entidade sinistra que sai de seu armário. A presença, a quem ela chama de outra mamãe, torna-se cada vez mais ameaçadora para ela e sua família.
O gênero de terror teve uma boa repercussão no ano de 2026, quando foram lançadas várias produções de baixo orçamento, mas que continham histórias perturbadoramente boas. Como exemplo, Obsessão, lançado no primeiro semestre desse ano, conta com um roteiro acima da média, transformando o longa-metragem em algo bem visto e elogiado.
"Outra Mamãe" tinha a missão de manter essa excelência nos lançamentos de terror. A proposta era boa em questão de história e despertou um grande interesse no mundo todo — principalmente dos fãs do gênero. Porém, esse novo filme pode não ser a escolha correta quando comparado a outros títulos.
A oscilação de qualidade de um filme para o outro — principalmente no terror — demonstra que o gênero sempre sofre com esse impasse (basicamente, isso se torna uma regra: em uma época, um ótimo filme; na outra, um péssimo).
Rob Savage pode não estar no melhor momento de sua carreira, mas é perceptível a tentativa de remodelar tais quesitos, como o uso do jumpscare, recurso que já saturou há muito tempo.

Esse novo filme tem uma camada inicial bem similar ao contexto da "outra mãe" de Coraline, onde a personagem acaba tendo duas vidas em universos diferentes. No entanto, a trama não tenta elevar nada além disso e começa a aplicar a atmosfera de terror dentro dessa linha narrativa. Tudo isso resulta em "Outra Mamãe".
Uma criança vê sua família se desfazer de forma lenta e, pelo clamor por atenção, acaba atraindo uma entidade para casa, onde passa a ter a atenção devida à ausência da mãe — daí surge a "outra mamãe".
Tudo dentro desse filme resulta em algo previsível, o que faz com que a trama perca força o tempo todo. O terror em si começa a ficar falho, sem graça e sem impacto quando a própria história não se importa com ele.
Com um pouco mais de uma hora e trinta minutos de duração, é perceptível que o roteiro se acelera demais para poder contar, estruturar e concluir toda a narrativa em um curto período de tempo de tela. Precisava de um pouco mais de desenvolvimento.

A trama principal é o combate à entidade, mas a subtrama começa a se intensificar a cada ato, deixando a "grande" revelação para os momentos finais. Isso coloca em risco o pouco que foi construído ao longo da duração — às vezes, damos razão para a entidade querer atacar essa família.

Mantendo pouco do terror e focando inteiramente no drama casual, "Outra Mamãe" não sabe bem ao certo qual gênero deseja ser. Se ficasse em apenas um, obviamente haveria outra perspectiva quanto ao conteúdo apresentado.
Vendido como um filme de terror, "Outra Mamãe" decide não enxergar seu potencial e prefere apostar no duvidoso. O resultado não poderia ser outro.
NOTA DO CRÍTICO: 4.0/10.0




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