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Leme,06/09/2026

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Dave Logan

O HOMEM QUE SUSSURRA (2026) de JAMES ASHCROFT - Guiado por boas atuações, o longa transforma uma premissa batida em um entretenimento eficiente.

O Homem que Sussurra na Netflix acompanha um escritor que pede ajuda ao pai ex-detetive após o sequestro do filho, descobrindo ligações com um antigo serial killer


O HOMEM QUE SUSSURRA (2026) de JAMES ASHCROFT -  Guiado por boas atuações, o longa transforma uma premissa batida em um entretenimento eficiente.

Quando O Silêncio dos Inocentes chegou aos cinemas em 1991, tornou-se um marco instantâneo. O filme reinventou o thriller policial ao entregar um roteiro cheio de camadas e uma atuação monumental de Anthony Hopkins como Hannibal Lecter. Com tamanho impacto, era inevitável que o longa se tornasse a principal referência para as produções do gênero nas décadas seguintes.

O novo filme da Netflix bebe diretamente dessa fonte. Isso fica claro a cada cena, mas o longa utiliza a obra de 1991 como inspiração, e não como cópia — resultando em uma boa execução de uma premissa clássica.

O Homem que Sussurra é um suspense policial focado em um serial killer que ataca crianças. A narrativa se desenvolve em duas linhas temporais — passado e presente — que se cruzam para sugerir que o vilão atual pode ser o mesmo do passado.



A trama acompanha Tom, um homem viúvo que se muda para uma nova casa tentando recomeçar a vida e se reconectar com o filho de 8 anos, Jake. A relação entre os dois é difícil e, para piorar, o garoto desaparece sem deixar vestígios. O sumiço desencadeia um desespero imediato que mobiliza a polícia, especialmente um detetive que nota semelhanças entre o caso atual e um crime antigo cujo autor já está preso.

Com quase duas horas de duração, o filme tem uma primeira metade cadenciada, sem pressa. Esse início se dedica a estabelecer a dinâmica entre pai e filho e a apresentar pormenores da investigação policial — elementos que preparam o terreno para a trama principal.

A métrica entre casualidade e tensão aposta no simples. A investigação do serial killer segue a fórmula padrão do gênero sem tentar reinventar a roda, o que torna a premissa um pouco batida. Contudo, quando as coincidências entre passado e presente colidem, a entrada de Peter (Robert De Niro) dá novo peso à história. Além de detetive, Peter é pai de Tom, e é no conflito entre esses papéis que o filme realmente acerta.



Para amarrar as pontas, Peter precisa ir à prisão conversar com o antigo assassino, Frank Carter (Michael Keaton), suspeitando que ele possa ter um sucessor. Essa visita ao passado carrega grande tensão dramática, impulsionada por uma atuação impecável de Keaton.

No entrelaçar do desespero do pai, da vulnerabilidade do filho e do dilema do detetive, o filme alcança seus melhores momentos dramáticos. Ainda assim, não se arrisca a sair da zona de conforto. A conclusão perde força porque o roteiro ensaia um mergulho mais profundo, mas hesita no momento decisivo, deixando o desfecho morno.



O saldo é negativo? De forma alguma. Mesmo transitando entre o caos e a conveniência, O Homem que Sussurra se sustenta pela condução leve e, sobretudo, por um elenco de peso que mantém o interesse do público. É uma trama simples, mas bem executada e segura do que quer entregar.


NOTA DO CRÍTICO: 6.0/10



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