Dave Logan
O SORVETEIRO (2026) de ELI ROTH - Entre o sangrento e o cômico, novo longa de Eli Roth resgata a essência do "terrir" com efeitos práticos e excessos que vão agradar aos fãs raiz do gore.
Um verão idílico se transforma em puro terror quando um sorveteiro serve delícias doces, mas com resultados horrorosos.
O cinema Gore jamais sairá de moda? Talvez essa aposta seja um tanto alta, pois, independentemente de como a essência narrativa se desenvolve, o gore sempre apelará para a sua arma mais letal: o próprio gore.
Sangrento em grande escala, exagerado e com pouca história, o novo filme do cineasta Eli Roth reflete todos esses conceitos, transformando sua obra em um verdadeiro mar de sangue. "O Sorveteiro" tem um nome inocente, mas um núcleo narrativo maquiavélico, quase lovecraftiano. No entanto... essa pequena história vem da mente do grande diretor Alfred Hitchcock. Quem diria, hein?!

Não seria estranho pensar que essa nova obra fosse um remake do clássico cult do trash lançado em 1995, que carrega o mesmo título (O Sorveteiro). Afinal, a linha que separa o trash do gore é quase inexistente, embora ainda existam diferenças. O filme de 1995 tem uma dinâmica narrativa focada em sequestro e maldade humana, baseada na atuação totalmente caricata de Clint Howard — e quem viu o filme sabe que essa atuação carrega a obra nas costas.
Neste novo longa-metragem, a ideia simboliza uma maldição: as crianças que consomem o sorvete se revoltam contra os adultos em uma guerra geracional, tudo em prol de uma vingança do passado.
Mas o filme é bom? Vale ressaltar que "O Sorveteiro" atende a uma demanda de fãs diferente da do terror atual. O tempero especial se assemelha a algo visto milhares de vezes, mas que se consagra justamente pelo clichê: os exageros das mortes e do sangue em cena.
Na trama, um sorveteiro chega a uma pequena cidade tentando fazer a alegria das crianças com seus sabores gelados. À medida que o sorvete é consumido, algo ruim começa a acontecer. Uma rebelião nasce e as crianças tomam o controle da situação.
Há algo que chama a atenção logo no desenrolar dos fatos: o uso de efeitos práticos para que tudo pareça o mais natural possível — dentro dos padrões e da proposta do filme, obviamente. Como bônus, temos uma maquiagem inquietante, em que a sujeira faz parte do cenário: sangue seco, olhos fundos e a definição de algo horrendo que remete facilmente ao clássico cult "O Carnaval das Almas".

Quando pensamos em marcas registradas de diretores, vemos que essa construção de atmosfera vem de longa data. É o caso de Eli Roth, que há anos deixa claro o seu gosto pelo gore e pelos excessos no cinema.
O clímax do filme é o centro de tudo. A narrativa gira em torno do caminhão de sorvete que, mesmo semeando a alegria, também planta o ódio e o caos, desencadeando uma guerra na cidade.
"O Sorveteiro" aposta alto na criatividade e no uso frequente do "terrir", elemento que sustenta a história o tempo todo. Não se trata de nada revolucionário, apenas de um conto em que tudo dá errado.

Com aproximadamente uma hora e meia de duração, a trama não precisa de mais do que isso para agradar ao fã raiz do subgênero. A galhofa dá certo para aqueles que abraçam a ideia e gostam desse tipo de proposta. Por outro lado, o entusiasta do terror moderno — em que o susto, as possessões e as perturbações predominam — provavelmente não gostará, já que esses elementos ficam de fora. Aqui, temos a boa e velha bobeira cênica, que funciona muito bem no contexto cinematográfico proposto.
Uma diversão sangrenta e descontraída, "O Sorveteiro" entrega exatamente o que o gore sempre proporcionou: uma trama básica e batida sustentada pelo gore absoluto e divertido.
NOTA DO CRÍTICO: 6.9/10




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