Dave Logan
STREET FIGHTER (2026) de KITAO SAKURAI - Mais cosplay do que Cinema: O novo filme troca boas lutas por um desastre visual.
Os velhos amigos e lutadores de rua Ryu e Ken Masters são arremessados de volta ao combate quando a misteriosa Chun-Li os recruta para o próximo Torneio World Warrior, um choque brutal de punhos, destino e fúria.
Desde que o trailer da nova adaptação dos jogos de Street Fighter foi revelado ao mundo do cinema, a empolgação deu uma grande baixada nos fãs da franquia por estar "absurdo" demais. Logo, essa terceira tentativa de um live-action já nasceu enfrentando vários problemas, sendo um deles a própria adaptação.
A franquia de jogos é extremamente famosa; rendeu animes e filmes animados que mantinham a essência dos jogos, formando um outro campo no que diz respeito a contar suas histórias — as "brigas" de rua. Na década de 90, a franquia ganhou seu primeiro longa-metragem para o cinema, e o resultado não poderia ter sido outro: um desastre em imagem em movimento que deixa claro que, de "Street Fighter", o longa só tem o nome — um ponto negativo que vai além do conteúdo em si.

Pouco se fala da segunda tentativa de levar a franquia para as telonas: Street Fighter: A Lenda de Chun-Li, lançado em 2009, que dispensa comentários sobre como se comporta dentro do universo de lutas criado pela CAPCOM (vale lembrar que, no mesmo ano, tivemos também a adaptação de Tekken: O Reino do Punho de Ferro). Pois é.
Esta nova versão deixa claro que a fidelidade extrema era a sua real prioridade. O problema é o que isso causa para a narrativa: o filme começa a parecer superficial e bobo demais. Há elementos de animes e jogos que não funcionam no cinema, como a caracterização de certos personagens.
O uso frenético de CGI pesa demais em algumas cenas — como na do Blanka, por exemplo —, ofuscando a interpretação do ator e sobrecarregando os detalhes, que se perdem em meio aos efeitos. O resultado é uma verdadeira bagunça onde não dá para entender nada. Street Fighter merecia efeitos práticos e lutas mais concentradas, focadas na ideia de um combate corpo a corpo.

Quando o torneio Street Fighter finalmente se inicia, os cortes bruscos de uma cena para outra não focam no evento, mas apenas na trajetória de Ryu, que quer participar, mas não sabe como. A gente quer ver o torneio acontecendo — porque a história todo mundo já conhece —, mas isso entrega o que promete? Não.
Assim como Mestres do Universo, lançado no primeiro semestre de 2026, Street Fighter abraça forte a sua ousadia, elevando o absurdo ao último nível. Em ambos os casos, o resultado é o mesmo: uma galhofa despretensiosa e fútil demais. Mas... Street Fighter merecia isso? Com certeza não.
Uma coisa fica clara quando o filme começa: além do campeonato Street Fighter, temos outro torneio acontecendo em tela: o de cosplay. A fidelidade visual é tanta que faz o filme perder a seriedade.
Vemos, ao longo de duas horas, os eventos que levam os melhores lutadores do mundo ao torneio organizado pelo temido M. Bison. Logo, a narrativa escancara seu verdadeiro problema: não se importar com o que vai denegrir a imagem da franquia. Há piadas o tempo todo em momentos inadequados; a pouca seriedade que algumas cenas conseguem construir é rapidamente destruída por piadas fora de timing, tudo para deixar as cenas cômicas e sem profundidade.

Sem um real senso de urgência, a nova adaptação é um caos para si mesma. O longa não se importa com a história central e ofusca as poucas coisas boas com distrações irrelevantes, fazendo o filme perder a força a cada segundo. Diante disso, Kitao Sakurai, o diretor, parece não saber para onde levar a trama e apela excessivamente para o fan service e para a nostalgia. Os flashes de memória surgem em formato de anime na esperança de resgatar o que foi bom no passado — afinal, se dependesse apenas da linha principal desta adaptação, o longa teria ainda mais camadas de desastre.
Cheio de núcleos secundários que não se concluem, o novo Street Fighter é um show de horrores. A trama até poderia ter entregado algo fiel aos jogos se não tentasse se levar a sério demais enquanto abraça a ideia de que a "galhofa" em uma franquia aclamada seria uma boa escolha. Street Fighter merecia algo muito melhor — algo no nível de Street Fighter II: V ou do filme animado de 1994.

Veredito: Uma adaptação que tenta agradar a todos no visual, mas esquece o básico: entregar boas lutas e um roteiro com peso. Nota: 4/10.




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